Gigantismo e ineficiência - O Estado de S.Paulo 08/01 editorial
Em vários momentos, nas últimas décadas, a disposição de luta na defesa de seus representados demonstrada por um punhado de sindicatos resultou em ganhos expressivos para os trabalhadores. Embora não raras vezes a atitude de muitos dirigentes desses sindicatos tenha beirado a arrogância e a ilegalidade, os resultados alcançados com suas ações pareciam demonstrar o vigor da estrutura sindical que viceja no País basicamente sob regras instituídas há mais de sete décadas, na ditadura do Estado Novo. Fossem efetivamente fortes e, sobretudo, representativos dos trabalhadores que dizem defender, os sindicatos estariam aptos a assumir o papel que deles esperam seus representados nesse período de crise em que as negociações coletivas se tornam bem mais difíceis e o País começa a discutir novas relações de trabalho.
Movimento no comércio tem queda histórica de 6,6% em 2016, indica Serasa - O Globo (09/01)
De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, o movimento dos consumidores nas lojas de todo o país caiu 6,6% no ano de 2016 em relação ao ano de 2015. Este foi o pior resultado do varejo nacional dos últimos 16 anos, ou seja, desde o início do levantamento da atividade comércio pela Serasa Experian. O pior resultado até então havia sido o recuo de 4,9% em 2002 por causa da crise do racionamento de energia elétrica, o famoso "apagão". De acordo com os economistas da Serasa Experian, as dificuldades enfrentadas pelos consumidores durante o ano passado (juros altos nos crediários, desemprego em alta, confiança ainda em patamar deprimido) impactaram negativamente a atividade varejista, ao longo de todo o ano de 2016.
Indústria teve aumento generalizado de preços - O Estado de S.Paulo 07/01
A indústria registrou aumentos generalizados de preços na porta de fábrica em novembro. Entre as 24 atividades pesquisadas, 21 tiveram elevação no Índice de Preços ao Produtor, informou ontem o IBGE. Como consequência, a taxa do IPP foi de 0,78% em novembro, a mais alta desde maio passado. Mas a inflação acumulada em 12 meses manteve-se comportada, sob influência da crise e do câmbio, ponderou Alexandre Brandão, gerente do indicador na Coordenação de Indústria do IBGE. A taxa do IPP em 12 meses saiu de 9,99% em janeiro para 0,05% em novembro.
Medo do desemprego cresce entre brasileiros - O Estado de S.Paulo 07/01
Os brasileiros encerraram 2016 com mais medo de ficarem sem trabalho do que tinham ao fim de 2015, de acordo com pesquisa divulgada pela CNI. O Índice de Medo do Desemprego cresceu 3,6 pontos no último trimestre do ano, chegando a 64,8 pontos. Em setembro do ano passado e em dezembro de 2015, o indicador estava em 61,2 pontos. “O aumento no fim do ano compensou a queda em setembro e fez com que o índice encerrasse o ano acima do verificado em dezembro de 2015, o que indica que o brasileiro permanece receoso em relação ao mercado de trabalho”, avaliou a CNI.
“Brasil não pode se dar ao luxo de perder mais um ano” - O Estado de S.Paulo 07/01
O Brasil tem grande potencial para atrair investimentos estrangeiros neste ano, sobretudo em setores como aeroportos, portos e estradas, avalia o chefe de Economia e Estratégia para América Latina do Bank of America Merrill Lynch, Claudio Irigoyen. Na visão do economista argentino, como o crescimento do País não poderá se embasar mais na alta do consumo, é desses aportes que o País mais precisa. Em entrevista, ele diz confiar na equipe econômica e que as medidas de reajustes propostas são necessárias, mas ainda será preciso uma segunda onda de reformas, para facilitar a abertura de empresas e simplificar a área fiscal, para atrair investidores.
Idade mínima no INSS deve reduzir desigualdades regionais, mostra estudo - O Estado de S.Paulo 08/01
A fixação de uma idade mínima de 65 anos para todas as aposentadorias no Brasil pode amenizar a desigualdade regional na concessão de benefícios, de acordo com estudo do consultor do Senado Pedro Nery. Hoje, mais de 20% dos trabalhadores das Regiões Sul e Sudeste se aposentam por tempo de contribuição, muito antes da idade mínima proposta, e usufruem do benefício por mais tempo, uma vez que têm expectativa de vida maior. Já no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os trabalhadores se aposentam com uma idade média entre 63 e 64 anos, próximo ao que o governo apresentou na reforma da Previdência, encaminhada no fim do ano passado ao Congresso.
Governo prepara sistema para conceder seguro-desemprego automaticamente - O Globo (sáb. 07/01)
O Ministério do Trabalho está implementando um sistema que vai encaminhar, automaticamente, o benefício aos demitidos sem justa causa, de forma que eles não precisem mais procurar os postos do Sistema Nacional de Emprego (Sine) para dar entrada no pedido. O novo sistema está sendo desenhado com a ajuda da Caixa Econômica Federal, pagadora do seguro-desemprego. Deverá começar a funcionar primeiro em alguns estados para testes, entre os quais o Rio, para depois ser ampliado para todo o país já no início de 2018.
Investimento direto sofre menos com crise e deve somar US$ 70 bi - Valor Econômico 09/01
Apesar da forte queda dos investimentos e do PIB nos últimos dois anos, um indicador da economia brasileira se manteve surpreendentemente forte. O Investimento Direto no País somou US$ 75 bilhões em 2015 e acumulou, nos 12 meses encerrados em novembro de 2016, ingresso de US$ 78,8 bilhões, segundo dados do Banco Central.
Imposto, remendo e reforma - O Estado de S.Paulo 09/01 editorial
O Brasil perde bilhões de dólares de produção, exporta menos do que pode e deixa de criar milhares de empregos todo ano porque mantém um dos piores sistemas tributários do mundo, como comprovam, regularmente, as classificações internacionais de competitividade. Além de muito pesada, a tributação é disfuncional e o sistema é absurdamente complicado, mas a ação das autoridades, em todos os níveis de governo, muito raramente vai além de remendos e de improvisações. Alguns desses arranjos funcionam por algum tempo, mesmo já não tendo razão de ser, como a Lei Kandir.
Empresas oferecem vivência no exterior para atrair talentos - Folha de S.Paulo (dom. 08/01)
Morar fora do país sem deixar o trabalho é o principal atrativo dos programas de mobilidade internacional, que permitem a um funcionário a vivência de três a 24 meses no exterior. É bom para todo o mundo: os empregados têm parte das despesas custeadas e ganham experiência; já as empresas usam o intercâmbio como forma de preparar colaboradores para ocupar cargos estratégicos, motivar suas equipes e melhorar o relacionamento global entre seus escritórios.
Sem entulho tributário - editorial - Folha de S.Paulo (dom. 08/01)
Projetos de reforma tributária são fracassos que se repetem a cada triênio, pelo menos desde o fim da hiperinflação. Tais pacotes de mudança em geral definham devido à fome de receitas de governos deficitários, à falta de visão dos políticos e ao lobby de empresas. Um centro de estudos tributários, patrocinado por sete companhias, sugere uma reforma a ser implementada em dez anos, como mostrou reportagem desta Folha. O ritmo paulatino ajudaria a atenuar riscos de perda de arrecadação, de conflitos políticos e de impactos negativos nas empresas.
Lei proíbe prefeituras de conceder benefícios para redução do ISS - Valor Econômico 09/01
Além de criar novas possibilidades de fontes de receita para as prefeituras, a reforma do ISS poderá acabar com a guerra fiscal entre municípios. Publicada no apagar das luzes de 2016, a Lei Complementar nº 157, que chamou mais atenção por permitir a cobrança do tributo sobre a disponibilização de conteúdos de áudio e vídeo por meio da internet, veda a concessão de qualquer benefício para redução, indireta, do percentual mínimo de 2%, como diminuição de base de cálculo ou concessão de crédito presumido. A adoção de benefícios foi a saída encontrada por prefeituras para atrair empresas, instigando a guerra fiscal contra os municípios que antes sediavam esses contribuintes.